A construção de uma sociedade mais justa e igualitária passa, necessariamente, pela educação. Nesta seção, destacamos o trabalho inovador e multifacetado da Professora Mestra Grece Teles Tonini Gomes, que, por meio de sua disciplina e eletivas, transformou a sala de aula em um espaço de letramento racial e decolonização de saberes. Com a máxima de que "se não for uma educação antirracista, não é educação", a Professora desenvolveu práticas intencionais e transversais — incluindo debates sobre racismo estrutural, análise de leis e dinâmicas de reflexão — que visaram estimular a valorização das culturas e o protagonismo estudantil. Todas as atividades foram realizadas com o acompanhamento e supervisão do Professor Coordenador de Estratégias de Equidade Racial (PCER), garantindo o alinhamento estratégico e a coerência metodológica do Projeto Aquilombar. Convidamos você a explorar as diversas ações que compuseram essa jornada de conscientização e engajamento, que você confere logo abaixo.
Professora Grece Teles (Educação Físicas / Eletiva)

A série documental da HBO “O Negro no Futebol Brasileiro” retrata a trajetória de jogadores negros que enfrentaram e superaram barreiras para conquistar seu espaço no esporte. Inspirada no livro de Mário Filho, a produção reúne depoimentos de atletas consagrados, como Romário, Adriano e Júnior, além do cantor Gilberto Gil. A obra aborda questões como o racismo nos estádios e a importância do futebol na formação da identidade cultural brasileira.

Ao final da exibição, foi realizada uma conversa aberta sobre o tema, na qual os estudantes compartilharam suas percepções acerca do esporte e da representatividade das pessoas negras na atualidade.

Também foram debatidos o protocolo antirracista no esporte e o documento criado pela própria SEDU para combater o racismo em práticas esportivas.

Os estudantes foram organizados em grupos e conduzidos ao LIED, onde, utilizando os Chromebooks da escola, tiveram acesso ao Protocolo Antirracista da SEDU. O documento estabelece condutas disciplinares individuais, como a proibição da participação em jogos futuros para aqueles que cometerem atos racistas ou outras formas de discriminação, e condutas coletivas, como a paralisação ou interrupção definitiva da partida.

Além das medidas disciplinares, o protocolo orienta sobre a importância de ações pedagógicas de formação e conscientização, voltadas à prevenção e ao enfrentamento de práticas discriminatórias. Após a leitura, os alunos debateram os pontos mais relevantes do documento oficial, refletindo sobre sua aplicação no contexto escolar e esportivo.

Nesta Atividade, os estudantes tiveram liberdade de criação. A partir dos conteúdos trabalhados nas aulas teóricas, dialogadas e expositivas, puderam se organizar em grupos e escolher a forma como desejavam divulgar as informações aprendidas, atuando como agentes de promoção da educação antirracista.
Foram produzidos vídeos, panfletos, caixas de reflexão, cartazes e banners com o objetivo de informar sobre as leis estudadas e o Protocolo Antirracista, entre elas: a Lei nº 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor; a Lei nº 14.532/2023, que equipara a injúria racial ao crime de racismo e amplia as penas para ofensas cometidas em redes sociais; o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010); e a Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.

Inspirando-se na obra “Querido Estudante Negro”, de Bárbara Carine (acervo pessoal da professora), foi proposto aos estudantes uma reflexão sobre as experiências de racismo vivenciadas no ambiente escolar. No livro, a autora relata episódios marcantes de preconceito sofridos por adolescentes e destaca:
“Muitas pessoas brancas não têm noção de como é desesperador para um jovem acordar e ir para a escola sabendo que vai viver aqueles massacres, ouvir piadas e se deparar com a ausência de positivação da sua existência naquele espaço.”
A partir dessa leitura, os estudantes da segunda série foram convidados a produzir cartas abertas, expressando suas dores, vivências e percepções pessoais relacionadas ao tema. As cartas poderiam ser assinadas ou escritas sob pseudônimos, respeitando o anonimato e garantindo um espaço de escuta sensível e acolhimento emocional.


Eletiva da 2ª Série Promove Debate Antirracista com Dinâmica Interativa
Na atividade da eletiva, os estudantes foram organizados em grupos, cada um retirando do envelope "Reflexçoes Antirracista" uma frase desafiadora. Com o cronômetro ativado, tiveram 5 minutos para debates intensos e registro de argumentos de concordância e discordância sobre as afirmações sorteadas.
Os materiais produzidos foram recolhidos pela professora, que utilizou os registros para estruturar uma roda de conversa fundamentada. A ação reforça o compromisso da escola com uma educação antirracista prática e reflexiva.

CULTURA INDÍGENA: INFLUÊNCIAS NA ESTÉTICA CORPORAL E NA LINGUAGEM CONTEMPORÂNEA
Trabalho realizado com as turmas do turno noturno, especificamente com as turmas de 1ª série. Foi utilizada a metodologia World Café, na qual foram organizadas quatro “ilhas” na sala, cada uma abordando um tópico relacionado à cultura indígena: Grafismo Corporal, Cocas e Adornos, Práticas Corporais e Jogos Indígenas, e Etnias e seus Dialetos.

As aulas do turno noturno têm duração de 60 minutos, permitindo que os estudantes permanecessem aproximadamente 10 minutos em cada ilha, debatendo as informações apresentadas e produzindo o material solicitado em cada estação. Ao final da atividade, os alunos apresentaram os trabalhos produzidos para o grupo.

Eletiva da 2ª Série Promove Debate Antirracista com Dinâmica Interativa
No campo da Educação Física, este projeto explorou a profunda influência das estéticas ancestrais africanas e indígenas na concepção contemporânea da beleza corporal. Por meio de um estudo aprofundado, analisamos como elementos como os grafismos, os cocares, os turbantes, as tranças e os dreads representam não apenas ornamentos, mas sistemas de comunicação e reafirmação de identidade cultural.
Esse trabalho de pesquisa permitiu desenvolver uma visão crítica sobre como a estética corporal está intrinsecamente ligada à história, à resistência e à valorização da ancestralidade, enriquecendo nossa compreensão sobre diversidade cultural e beleza.

Após compreenderem algumas leis relacionadas ao racismo e a importância de mudanças comportamentais para além de uma postura apenas politicamente correta, as aulas avançaram para um processo de empoderamento cultural.
Foram apresentados livros como História Preta das Coisas, Como Ser um Educador Antirracista e Sabores e Territórios (do acervo pessoal do professor), que abordam a diversidade cultural do continente africano e dos povos originários, iniciando assim um processo de decolonização e promoção da representatividade.

Os estudantes escolheram um tema dentre os abordados sobre cultura africana e indígena, incluindo práticas corporais e alimentação. A partir dessa escolha, realizaram aulas voltadas à pesquisa em Chromebooks e receberam materiais para a confecção de produções destinadas à exposição dos temas.
As produções realizadas incluíram: mapa conceitual, lapbook, livro colméia, e-book e boneca Abayomi.

O jogo africano "My God", de origem moçambicana, foi adaptado no Brasil para atividades educativas. Nele, duas equipes competem: os Construtores, que tentam empilhar latas, e os Destruidores, que usam uma bola para acertar os adversários e derrubar as pilhas. Quando os Construtores conseguem empilhar as latas, passam a perna por cima, gritam "My God!" e as derrubam para marcar ponto.

A troca de função entre as equipes ocorre após um tempo determinado. Além de promover a recreação e a socialização, o jogo estimula o raciocínio rápido e a estratégia, sendo uma ótima opção para aulas de educação física.

No âmbito das ações previstas pelo projeto AQUILOMBAR, a área de Linguagens será responsável pela elaboração de um jornal escolar, enquanto a disciplina de Educação Física ficará encarregada da página dedicada aos esportes. Um dos destaques será a coluna “Por Onde Andas?”, cujo objetivo é apresentar atletas negros da cidade que vêm se destacando no cenário profissional do futebol, promovendo visibilidade e representatividade.

Com o intuito de aproximar os estudantes da realidade vivenciada por esses atletas e fortalecer a percepção de representatividade, a disciplina promoveu a participação da ex-aluna da rede estadual Kailany Geovanelli, atualmente atleta do Sub-20 e contratada pelo Fluminense Futebol Clube, proporcionando uma experiência direta de inspiração e aprendizado para os alunos.


Foi desenvolvida uma aula dialogada e expositiva com base no livro História Preta das Coisas, atividade que ainda se encontra em desenvolvimento, uma vez que os estudantes deverão escolher quais das 50 invenções do continente africano e de pessoas negras citadas no livro desejam recriar para ilustrar a obra.
Durante a abordagem, os alunos foram apresentados ao conceito central do livro, que, fundamentado em pesquisas históricas, evidencia que o continente africano e seus descendentes foram os primeiros humanos, bem como os pioneiros nas áreas de ciência, matemática, engenharia e arquitetura. Essa perspectiva histórica reconstrói a narrativa da ancestralidade africana, posicionando-a como central no desenvolvimento da humanidade, que surgiu na África há aproximadamente 350 mil anos, e desafiando as concepções tradicionais pautadas no eixo escravocrata.

Foi desenvolvida uma aula dialogada e expositiva com base no livro História Preta das Coisas, atividade que ainda se encontra em desenvolvimento, uma vez que os estudantes deverão escolher quais das 50 invenções do continente africano e de pessoas negras citadas no livro desejam recriar para ilustrar a obra.
Durante a abordagem, os alunos foram apresentados ao conceito central do livro, que, fundamentado em pesquisas históricas, evidencia que o continente africano e seus descendentes foram os primeiros humanos, bem como os pioneiros nas áreas de ciência, matemática, engenharia e arquitetura. Essa perspectiva histórica reconstrói a narrativa da ancestralidade africana, posicionando-a como central no desenvolvimento da humanidade, que surgiu na África há aproximadamente 350 mil anos, e desafiando as concepções tradicionais pautadas no eixo escravocrata.




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eeem ceciliano abel de almeida - SRE são mateus - es
Prof. NIlton Ribeiro / Maria E. Jesus (3ªM01-SEC)
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